Produto Interno Bruto (Download)
Para a análise do comportamento dos indicadores que dizem respeito á geração do produto estadual, a primeira variável que deve ser analisada é o comportamento do Produto Interno Bruto, seguindo-se-lhe, o PIB per capita.
No que diz respeito à primeira variável, verifica-se que no período 1998 – 2003, o Ceará cresceu, em termos nominais, 50,91%, atingindo, em 2003, um PIB de 28,4 bilhões de Reais. Este valor, dada a população do Estado naquele ano, correspondia a um PIB per capita da ordem de R$3.618,00, mostrando, com relação a 1998, um crescimento nominal de 57,17%.
Olhando-se, agora, para a composição do Produto Interno Bruto cearense, verifica-se que no período em tela, o Produto Agropecuário tem apresentado uma participação pífia, mantendo sua participação no PIB Total do Estado praticamente constante. De fato, este produto setorial passou de uma participação de 6,4%, em 1997, para uma participação de 5,2% em 2001, aumentando para 6,6% em 2003. No que diz respeito ao Setor Industrial, este mostra um comportamento descendente, atingindo uma participação no PIB total de 37,3% , em 2003, contra 40,1% , em 1998. Finalmente, dentro deste contexto, verifica-se que o Setor Serviços apresenta uma participação ascendente e acima dos 55% em todo o período analisado. Assim é que, este setor, em 2003, representava 56,1% do PIB total do Ceará.
Este comportamento é, digamos, o usual nas economias desenvolvidas. Isto significa que o Ceará apresenta tal característica? Obviamente, não! O que acontece é que os setores agropecuário e industrial apresentam bases muito pequenas, o que faz com que o setor serviço se sobressaia.
É importante frisar que a pequena participação na geração do produto cearense dos dois setores anteriormente citados, tem sido premida pelo comportamento assimétrico desses setores, com crescimento em alguns anos e quedas do PIB em outros.Veja-se que, durante o lustro analisado, tanto o setor agrícola como o setor industrial apresentam estatísticas negativas para alguns anos da série, principalmente o setor agrícola, que apresenta taxas negativas de crescimento acima, até, de 20,0%.
O que explica este comportamento do setor agropecuário? Será, apenas, o problema climático? Note-se que no período 1997 – 2001, os anos de 1998 e 2001 foram anos de estiagem no Estado, mas o ano de 1997 não foi ano de seca e, no entanto, o setor agropecuário registrou uma queda substancial: 21,9%. Desta forma, há de se encontrar outra explicação para este comportamento tão ruim.
Para finalizar esta análise, vale chamar a atenção para um fenômeno bastante interessante: o comportamento do PIB per capita de alguns municípios cearenses. Olhando-se para as estatísticas da série histórica analisada, verifica-se que o Município de Euzébio vem apresentando, desde o ano de 2000, o maior PIB per capita do Estado. Em 2003, Euzébio atingiu o valor de R$ 13.197,00 para essa variável. Este fenômeno é inesperado, haja vista que Maracanaú, abrigando o maior distrito industrial do Estado e levando em consideração que boa parte dos trabalhadores das indústrias lá localizadas não residem em seu território, deveria apresentar a situação de município de maior PIB per capita. Há de se registrar., por último, que dos municípios cearenses com PIB per capita acima de R$ 4.500,00, três deles apresentaram comportamento decrescente no período 2002-2003: Pacajus, Sobral e o próprio Município de Euzébio. Por outro lado, os outros municípios classificados dentro dessa faixa (Fortaleza, Maracanaú, Horizonte, Aquiraz e Cascavel) praticxamente apresentaram taxas positivas de crescimento para seus PIBs per capita para todos os anos da série.